Foi uma experiência inesquecível. Mesmo porque não tinha a certeza de a conseguir fazer. Passo a explicar. Sou um bocado medrosa com a água, nomeadamente (e só) quando estou “fora de pé”. Por isso estar em cima de uma prancha, de pé, no meio de um rio… uh… avisei logo que seria difícil.

No fim não só consegui como fiquei com vontade de repetir. E é uma actividade que aconselho. É cansativa, sim, mas também é muito relaxante.

No entanto tenho de ser justa. Se tivesse tido outro orientador o resultado poderia ter sido diferente. O Luís Antas de Barros, da AktivaNatura, foi essencial para que tudo corresse bem. E tudo começou com uma boa explicação de como iria decorrer o passeio, os materiais utilizados (pranchas com 90 centímetros – mais largas, logo mais estáveis; os coletes salva-vidas e ainda o fato de protecção) e toda uma paciência para colmatar a minha insegurança (e um niquinho de medo que tentei disfarçar).

Tudo começou com uma conversa. Para que o Luís conseguisse perceber o meu grau de experiência (nulo), se me sentia à vontade na água (ehhhh…. mais ou menos) e se estava em forma (depois de três anos de paragem obrigatória… nem por isso). Informação essencial para se definir o percurso do passeio. Sim, porque, para quem não saiba, Ponte da Barca tem diversos percursos possíveis. Fiz um deles, provavelmente o mais fácil, mas também o mais adequado ao meu perfil.

Definido o perfil o Luís teve o cuidado de deixar na recepção do hotel onde estava hospedada um fato adequado ao meu tamanho com as seguintes instruções: vestir um fato de banho, com uma camisola justa (para não criar fricção) e uns chinelos. Depois… depois foi esperar pela manhã.

Levantar cedo e cedo erguer…

Eram 10 horas e já estávamos nas margens do rio Lima, junto ao parque de campismo Lima Escape. Depois de tudo pronto (pranchas na água e colete vestido) vêem as instruções: sentar de lado, subir para o meio da prancha, na posição sentada – flor de lotus. Sem esquecer a posição do remo. Como avançar e como travar. Ah… e como conseguir seguir em frente e não estar constantemente aos “s” – algo que só consegui ao fim de algum tempo (e de uma nova repetição das instruções).

Confesso que os primeiros minutos foram simultaneamente de excitação e preocupação. Estava a experimentar algo novo, o dia estava fabuloso, mas… não sabia se não iria à água. Felizmente (ou, dependendo da perspectiva, infelizmente) tenho por hábito enfrentar (ou pelo menos tentar) os meus medos (neste caso a água, mais precisamente ficar fora de pé). Por isso fiz-me de forte (acho que consegui disfarçar o frio na barriga) e segui em frente. Ao fim de algum tempo estava suficientemente calma e aparentava segurança suficiente para que o Luís me desafiasse para a posição seguinte (já vos disse que antes de se estar em pé na prancha passamos por duas posições?). Ou seja, ficar de joelhos. Para isso há toda uma técnica e ainda bem que não estava mais ninguém a ver (devo ter feito uma pela figura).

Só depois de algum tempo nesta posição (e uns quantos metros mais à frente no rio) é que tentei ficar de pé na prancha. O truque passa por primeiro, colocar o remo a servir de apoio. Pensem numa pirâmide em que a prancha é a base, e o remo e o vosso corpo são os lados. Tem de haver um perfeito equilíbrio. Só com o remo bem posicionado é que nos devemos tentar levantar. Um pé de cada vez. E, em caso de tremeliques – que os há – segurar firme no remo. Ele é o nosso ponto de apoio.

Tive sorte. Consegui fazer toda a sessão sem ir à água. Embora por várias vezes a prancha tenha tremido.

Há uma sensação de plenitude estarmos em pé em cima de uma prancha e a deslizar pela água. Principalmente naquele dia. Não estava demasiado frio nem demasiado calor. A luz estava perfeita. Não havia vento. Só se ouvia os sons da natureza. Aquilo a que chamo de um “passeio zen”. O certo é que uma pessoa nem sente o tempo a passar. Bem… mais ao menos. Para quem não está habituado (o meu caso) ao fim de algum tempo (só depois me apercebi que foram mais de duas horas) começasse a sentir uma dorzinha nos braços. Principalmente se, como eu, for afoito e fizer demasiada pressão no remo.

Mas a minha conclusão final, de cerca de três horas a fazer stand up paddle é de que não só gostei como é algo que tenciono repetir. Principalmente se tiver novamente o Luís como monitor. Ou pelo menos alguém tão profissional como ele.

Fotos: Luís Antas de Barros

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Alexandra Costa

Jornalista desde 1996 sou portuguesa de nacionalidade, alfacinha de nascimento, alentejana de coração e uma viajante do mundo. Adoro viajar, conhecer novas culturas, experimentar gastronomias. Sou viciada em livros e nunca digo que não a uma boa conversa. Basicamente sou apreciadora dos prazeres da vida.

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