Pousada de Viseu: do passado se fez presente

A rede das Pousadas de Portugal têm dado uma nova vida a edifícios históricos, e a Pousada de Viseu não é excepção. Um local que já visitei por diversas vezes, a começar pela própria inauguração.

Com uma localização geográfica privilegiada a Pousada de Viseu encanta não só pela reabilitação de um edifício do século XVIII – onde estava localizado o antigo hospital da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, chamado de Hospital de São Teotónio, mas também pela vista da cidade.

Mal chegamos à Pousada e ficamos deslumbrados pelo edifício, construído num estilo neoclássico, da responsabilidade, na fase inicial, do arquitecto Teodoro de Sousa Maldonado – foi depois concluído por Manuel Alves Macamboa e pelos mestres Jacinto de Matos (pedraria) e Manuel Ribeiro (madeira e ferragens).  A Pousada apresenta quatro pisos, numa planta quadrilonga, com um claustro do tipo palaciano, onde se destacam os 26 arcos e as quatro portas. E aqui destaco o claustro. Um espaço majestoso, que pode receber até 400 pessoas, e onde fica o bar e a principal área pública.

Este é um caso perfeito de conjugação entre a preservação da história e as comodidades da era moderna. Isso é visível, por exemplo, nas águas furtadas. Que, digo desde já, têm a melhor vista da Pousada – o nascer ou pôr do sol é algo fora de série.

Um outro pormenor interessante da Pousada assenta numa especificidade do seu spa, que disponibiliza tratamentos de vinoterapia. Eu experimentei e garanto-vos que vale a pena.

Mas voltando ao edifício – sim, porque o grande destaque da Pousada é o seu edifício – gostaria de chamar a atenção para a fachada, com o frontispício e um frontão triangular com um brasão de armas esculpido. Também dignas de visita são as três estátuas femininas em acrotério, colocadas (em 1830) na entrada, ou, para ser mais precisa, no telhado do edifício. São três “senhoras” muitos especiais. Que representam as virtudes teologais: a Verdade ou Fé (à direita), a Caridade (ao centro) e a Esperança (à esquerda). Um outro pormenor. A Fé segura uma cruz e um cálice, enquanto a caridade sustenta com o braço esquerdo uma criança enquanto ergue outra com o braço direito. Já a Esperança tem um braço levantado e o outro apoiado numa âncora.

Um bom ponto de partida para quem quer visitar Viseu. Uma cidade que surpreende pelo centro histórico e pela quantidade de bons restaurantes. Mas isso fica para outra história (diga-se, outro artigo).

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Alexandra Costa

Jornalista desde 1996 sou portuguesa de nacionalidade, alfacinha de nascimento, alentejana de coração e uma viajante do mundo. Adoro viajar, conhecer novas culturas, experimentar gastronomias. Sou viciada em livros e nunca digo que não a uma boa conversa. Basicamente sou apreciadora dos prazeres da vida.

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