Já escrevo sobre vinhos há mais de uma década. Embora não com a regularidade (e consequente conhecimento) dos meus colegas de revistas especializadas como a Revista de Vinhos ou a Revista Vinho – Grandes Escolhas. Mesmo assim já dá para fazer uns brilharetes e ter uma clara percepção do mundo dos vinhos português.
No início do mês, mais precisamente entre os dias 10 e 12, decorreu, em Vila Real, a iniciativa Douro TGV – Turismo, Gastronomia, Vinho. Um evento que procurou, nesta primeira edição, mostrar o que de melhor se faz na região. Eu estive presente no último dia, dedicado ao vinho, e o programa começou com uma prova, cega, de vinhos. Da qual fui uma das juradas. Pela primeira vez.
Com o estômago aconchegado – embora não se beba o vinho, apenas se prove e cuspe há sempre um bocadito de álcool que entra para o organismo – a prova começou com a leitura das indicações. Cada mesa tinha um presidente que tinha como responsabilidade 1) verificar que o vinho servido estava bebível (é raro, mas por vezes acontece a garrafa não ter estado bem-acondicionada ou cheirar demasiado a rolha, por exemplo e, nesse caso, é solicitada a troca da garrafa), 2) assegurar que não há demasiada discrepância entre as notas, 3) verificar que as fichas estão preenchidas de forma correcta, 4) assinar e entregar as fichas à organização.
Um concurso/prova às cegas significa que não sabemos que vinho estamos a provar. A garrafa é servida de forma a que não se veja o rótulo. Aliás, totalmente tapada. A única informação disponível é se é um vinho branco ou tinto, o ano e a região. No caso da prova em que fui jurada experimentámos 12 brancos (seis de 2015 e seis de 2016) e 12 tintos (seis de 2013 e seis de 2014).
Comecei ligeiramente a medo. Notas q.b. porque nunca se sabe o que vem a seguir. Se dou excelente (ou muito bom) e depois o vinho seguinte é ainda melhor? Sendo que a avaliação não se baseava apenas em “gosto do sabor”. Pelo contrário. Um concurso de vinho avalia todo um conjunto de critérios, quer ao nível do aroma, do palato, da limpidez. A cada critério é dada uma nota, com uma determinada mensuração e no fim chega-se à nota final.
No caso da mesa onde estava inserida verificou-se um grande equilíbrio das notas no concerne aos brancos. Não houve nenhum que se destacasse, quer pela positiva ou pela negativa.
Tintos soberbos
O mesmo não aconteceu nos tintos. O terceiro vinho (de 2013) deslumbrou a todos. E, pela primeira vez, dei a nota máxima em todos os pontos. Fiquei de tal modo entusiasmada que adoraria saber que vinho provei para poder comprar uma garrafa. Ou duas, ou três. Com a passagem para os tintos de 2014 duas notas. O terceiro vinho também se destacou pela positiva, tendo obtido a segunda melhor avaliação na minha mesa (e a minha também). Já o quarto vinho… bem… posso dizer que mal o coloquei à boa tive vontade de cuspir. Lamento, mas tinha mesmo um sabor muito estranho. De tal forma que foi a única referência com notas negativas (na minha avaliação).
Chegada ao fim da prova tenho algumas notas a apontar. Não convém estar a pensar muito. Regra geral a primeira impressão do vinho é a melhor. É sobre ela que devemos avaliar a amostra em questão. Em segundo lugar convém, sempre, limpar o palato entre copos. Com água e, eventualmente, com algumas bolachas de água e sal. Se possível fazer uma pausa entre brancos e tintos. São referências completamente diferente e convém dar um descanso às nossas papilas. Principalmente se experimentarmos um número significativo de referências. E depois… depois é importante treinar a memória olfativa e gustativa. Porque são elas que vão determinar a avaliação que fazemos do vinho em questão.
Posso dizer que foi uma experiência interessante. Que não me importava de voltar a repetir. Porque é mais exigente do que uma “simples” prova e obriga a pensar. Além de que se aprende sempre algo.
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O tinto número 3 era o Montes Pintados 2013 e o tinto número 4 era o Esmero 2013.
Luís obrigada. Já agora… sabes qual o terceiro tinto de 2014 (nono na lista geral)? – dos que provei, claro. 🙂