Inaugurou no passado dia 25 de Abril, em frente ao Jamaica, e no 1.º andar do novo hotel 262 Authentic Suites, na famosa Rua Cor-de-Rosa, no Cais do Sodré, a nova Marisqueira Pesqueiro 25. Fui convidada há uns dias para um almoço lá com outros jornalistas e fiquei fã.
Este novo espaço é uma extensão do Pesqueiro de São Martinho do Porto, inaugurado a 22 de Junho de 2016. João Diogo Mendes e César Lourenço são os mentores e quem cozinha como ninguém os mariscos frescos e feitos na hora.
O facto de estar situada num primeiro andar não torna a sua identificação fácil. O letreiro ainda não é visível, mas os proprietários estão à espera da autorização da câmara para o tornarem mais atractivo.

A decoração é simples, descontraída, saltando à vista a grande lareira, e as tábuas de madeira em cima das mesas. Logo após subir as escadas, à entrada, está um autêntico aquário-viveiro, que diariamente recebe santolas, lagostins, lagostas, bruxas, sapateiras, lavagantes, burries, navalheiras, caranguejos, entre outros mariscos vivos, de origem nacional. “O atum que usamos no prego vem dos Açores, depois temos fornecedores das Berlengas, do Guincho, da Lagoa de Óbidos, da Lourinhã, e de São Martinho”, diz o gestor João Diogo Mendes, acrescentando que “os fornecedores são os mesmos no dois restaurantes”.

Os clientes podem optar por uma tábua onde vem um pouco de todas estas maravilhas ou escolher apenas uma ou duas espécies. Neste restaurante não se serve peixe grelhado como em São Martinho. É a grande diferença entre os dois. O chef César Lourenço, explica porquê: “Não tínhamos espaço suficiente na cozinha para trabalhar com qualidade o peixe. E por isso, quisemos fixar-nos no produto onde a confecção garantisse qualidade”.
De resto, tudo é igual. “A ementa é a mesma. Há um prego de atum para quem não come carne e os famosos pregos do Lombo, bife do lombo à Pesqueiro 25 ou o Hamburguer Black Angus no Caco”, revela.
Para entrada, sugere-se uma fantástica sopa de lavagante com ovas, e para quem quer apenas deliciar-se com petiscos, há amêijoas à bolhão pato, gambas fritas, camarão à guilho, percebes da Berlenga, carabineiro grelhado e sapateira, que vem ao natural. A tudo isso junta-se pão torrado sempre a sair.

Há ainda os famosos arroz de marisco, e arroz de lavagante e, de acordo com João Diogo Mendes, já aconteceu a pedido dos clientes, fazer-se um arroz de carabineiro, que não se encontra na carta. “Queremos manter a frescura dos produtos e, assim, o cliente pode escolher o que vai para dentro da panela”, diz.
Esta carta foi naturalmente pensada com uma carta de vinhos específica. No nosso caso, provamos um Soalheiro Alvarinho. “Todos os vinhos se enquadram nos pratos que temos”, frisa João Diogo Mendes.
O que quer que seja, não há nada a apontar. Comer aqui leva-nos a uma viagem inesquecível pelos sabores do mar, verdadeiramente bem confeccionados e onde se sente a paixão pelo que se faz.

Além do sabor fantástico, o trabalho em comer é praticamente nulo. Dou um exemplo, as pernas dos lagostins vêm desfeitas e misturadas no casco. Que experiência maravilhosa. E a frescura sente-se a cada garfada, comprovando o que destacou o chef César Lourenço. “A frescura do marisco e os pontos certos de cozedura são as nossas principais preocupações, não há que inventar”.
Outra característica do Pesqueiro 25 é o facto de tudo ser feito ao momento. Além disso, os mariscos serviços são da época para garantir a qualidade desejada.
Para rematar a refeição, na carta de sobremesas surge um clássico português reinventado: Além do pão de ló tradicional, há também o de canela e um de chocolate. Para acompanhar um doce de bolacha com compota de morango, caramelo e abóbora. São servidos todos, em formato pequeno, com o intuito de ser uma degustação de sabores em partilha.

De referir que João Diogo Mendes e César Lourenço “amigos de longa data”, transitaram do restaurante de São Martinho para o de Lisboa, justificando que “em equipa vencedora não se mexe”. César Lourenço ficará em Lisboa. Já João Diogo Mendes, regressará para São Martinho daqui a uns meses, depois de já consolidado o Pesqueiro 25. Até porque há ainda muito para fazer. Em breve, o restaurante terá, além das duas salas interiores, também um espaço exterior.
O sucesso do primeiro restaurante é grande, e o Verão é naturalmente a época mais alta, devido ao facto de São Martinho do Porto ser muito procurada pelo seu extenso areal.
Agora, a meta é conseguir o mesmo grau de sucesso em Lisboa e oter rapidamente o retorno dos 200 mil euros investidos. A tarefa não se espera difícil, pois há muitos factores a favor: a localização é privilegiada. Situada numa rua com grande movimentação nocturna, o Pesqueiro 25 tem licença para estar aberto até às 4h da manhã, o que, naturalmente alarga a possibilidade de ver crescer os clientes. Além disso, está integrado num hotel, o que por si só é factor de promoção. Depois, acaba por ser procurado por quem já conhece o espaço de São Martinho. “Temos clientes que vão ao nosso restaurante em São Martinho do Porto no Verão, que já nos procuraram aqui”, admite o chef César Lourenço, que veio parar ao marisco por acaso, tendo como experiência anterior, trabalho no bar e numa copa.
O mesmo chef admite que a ambição é criar uma marca, não estando descartada por isso a hipótese de se abrir um terceiro restaurante, após a consolidação deste. E a cidade do Porto é uma possibilidade. Por enquanto, é obrigatório visitar o Pesqueiro 25, e Lisboa. Os preços compensam pela qualidade evidenciada em tudo o que é servido.
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