Nuno Pires: quando o melhor da refeição é… o escanção

Uma boa refeição resulta de todo um conjunto de factores. Não se trata apenas da comida (embora esta seja extremamente importante). É também o espaço (diga-se restaurante), o percurso até lá (ou mais precisamente se foi fácil lá chegar – hoje em dia o GPS é um auxiliar imprescindível), o atendimento, ou por outras palavras, o pessoal de sala (que, convenhamos, não é, ainda hoje, devidamente valorizado), e o vinho, mais precisamente a harmonização com a refeição. E é aqui que entra o escansão. Ou sommelier, se preferirem.

Portugal tem bons profissionais do vinho, sejam produtores ou escansões. Mas, apesar de alguns até serem mais falados (quer porque dão entrevistas, têm blogs ou ganharam prémios) para mim um dos meus preferidos é o Nuno Pires, do restaurante Vistas, do Monte Rei Golf & Country Club, no Algarve. E porquê? Porque além de todo o conhecimento do vinho, inerente à sua profissão, o Nuno é um comunicador nato. Mas, mais do que isso, é alguém que consegue ler o cliente e adaptar a escolha dos vinhos face a isso mesmo.

Nunca mais me vou esquecer da primeira vez que fui atendida pelo Nuno. Um jantar no Vistas, a trabalho, em que o objectivo era o de avaliar a nova carta (e que, por isso mesmo, até nem iria, em princípio, falar muito dos vinhos).

Ao fim de uns minutos de conversa o Nuno sai-se com esta (ou algo parecido, que isto já ocorreu há alguns anos): “Já vi que gosta de coisas diferentes, que gosta de arriscar”. E como é que o Nuno descobriu isto? Porque soube interpretar não só o meu comportamento, mas também o meu discurso assim como a minha reacção aos primeiros vinhos apresentados. E foi esta leitura que o levou a proferir aquela afirmação e a alterar a lista dos vinhos pré-seleccionada. O certo é que surgiu com umas belas “pomadas” que combinaram na perfeição com os pratos. E que no fim, com a sobremesa, surgiu com um pequeno ex-libris. De tal forma que a mesa do lado, composta apenas por turistas estrangeiros, acabou por mencionar o que se estava a passar. A noite terminou com uma longa conversa. Entre todos. Sim, porque hás tantas os outros clientes resolveram também provar a “tal” pomada – ok, eu sugeri e eles alinharam.

E é isto que deve ser. Uma experiência. Uma combinação vencedora. E que só se consegue se o profissional em causa além do conhecimento requerido pela profissão consiga ter um elevado grau de empatia e uma boa leitura do cliente que está a atender. Algo que nem todos os profissionais têm, mas que o Nuno tem em abundância.

 

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Alexandra Costa

Jornalista desde 1996 sou portuguesa de nacionalidade, alfacinha de nascimento, alentejana de coração e uma viajante do mundo. Adoro viajar, conhecer novas culturas, experimentar gastronomias. Sou viciada em livros e nunca digo que não a uma boa conversa. Basicamente sou apreciadora dos prazeres da vida.

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