Alojamento Local teve impacto de 1.660 milhões de euros na economia da AML em 2016

Em plena campanha eleitoral, a importância do Alojamento Local (AL) é um dos temas de destaque na corrida às duas principais autarquias do país: Lisboa e Porto. As duas cidades estão na moda e com um número crescente de turistas todos os anos. Mais turistas, mais dormidas e por isso, uma maior procura por unidades hoteleiras. E se os hotéis estão a crescer, o Alojamento Local não se fica atrás.

Nos últimos meses tem-se falado muito deste subsector do turismo, mas o Alojamento Local é já uma realidade há anos em Portugal. A questão é que está a crescer exponencialmente nos últimos anos, havendo uma tendência de continuidade. Só em 2016 surgiram mais 4.346 unidades de AL, o que representa um crescimento de 94,8%. Os apartamentos dominam, com uma abertura de novos 3.686 pontos de alojamento, um número superior aos 3.490 novos apartamentos registados até 2015.

Relativamente à capacidade de alojamento, as quatro modalidades de alojamento (estabelecimentos de hospedagem, estabelecimentos de hospedagem-hostel e moradias), registam uma ocupação máxima de 54.572 hóspedes, mais 75,1% da que tinha sido registada até 2015.

Ana Jacinto, secretária-geral da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), garante que a Associação está a trabalhar no terreno para conhecer melhor a realidade deste subsector do turismo, afirmando que “se fala muito do AL, mas que se conhece pouco sobre o mesmo. Focamos muito a discussão em três freguesias, quando a dimensão da questão é maior”.

Um dos problemas deste subsector é o facto de haver muitas unidades no país fora da legalidade, sendo que o problema em Lisboa tem uma dimensão maior. “20% a 25% das unidades estão fora da legalidade, porque não estão registadas”, diz Ana Jacinto. Mas agora, com a mudança na lei, onde é obrigatório o registo, o Alojamento Local tem todas as condições para ter um impacto ainda maior na economia do país. Até agora, o que se sabe em concreto é o impacto na economia da Área Metropolitana de Lisboa (AML), que superou os 1.660 milhões de euros, representando 1% do PIB gerado nesta região. Os números foram apresentados esta semana e são resultado de um estudo encomendado pela AHRESP, ao ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Intitulado ‘Qual o impacto económico do Alojamento Local na Região de Lisboa, este estudo segue-se a um outro apresentado a 3 de março, segundo o qual 60% das unidades de AL disponíveis na zona de Lisboa resultaram de imóveis desocupados, mas 19% do total estavam arrendados antes de serem convertidos ao turismo.

Os números são claros: Em 2016 o Alojamento Local teve um impacto de 1.664,7 milhões de euros na economia da região. Hélia Pereira, coordenadora do estudo, explica que este resultado advém de um impacto directo de 285,9 milhões de euros, do alojamento e outras prestações de serviços, de um impacto indirecto de 549,6 milhões, relativo aos gastos pelos turistas, e de um impacto induzido de 829,8 milhões, considerando o efeito multiplicador na economia e nos sectores a montante e gastos de colaboradores.

O estudo revela ainda que o Estado arrecadou 97,4 milhões de euros em impostos, contribuições e taxas, e a taxa turística, que ainda não está implementada nos 18 concelhos analisados, rendeu 4,5 milhões de euros.

A todos os níveis, o estudo mostra números bastante positivos. Ao nível do emprego, o ano passado, o AL foi responsável pela criação de 5.706 postos de trabalho directos e 13.439 indirectos, tendo pago 51,4 milhões de euros em salários e retribuições.

Os dados “espelham um crescimento que é de facto exponencial e avassalador, e que não se espera que se mantenha ao longo dos próximos anos”, salienta Hélia Pereira, que sublinha que 2016 foi um ano atípico, devido à legalização de várias unidades já existentes.

Apesar de não se prever um crescimento semelhante, o estudo aponta ainda estimativas até 2020, e mesmo no cenário mais pessimista, a boa performance deverá manter-se. No cenário base, as estimativas permitem apontar que em 2020 o impacto económico do AL será de 3.735 milhões de euros, na melhor das hipóteses de 4.120,8 milhões de euros e no pior cenário 2.705,8 milhões de euros.

No cenário base, a contribuição do Alojamento Local para o PIB deverá atingir os 1.461,1 milhões de euros, ser responsável por mais de 42 mil empregos, 12.665 dos quais de forma directa.

De salientar que este estudo faz parte do maior inquérito alguma vez efectuado sobre o Alojamento Local na AML, tendo sido desenvolvido no âmbito do programa Quality, que procura valorizar e qualificar o Alojamento Local, nos 18 concelhos da AML: Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

De frisar que o estudo se irá estender às regiões do Norte, Centro, Alentejo e Ilhas.

 

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Raquel Carvalho

Lutadora e apaixonada pela vida. É assim que me caracterizo. Para mim a família é o meu pilar e ser mãe foi um sonho tornado realidade. Os meus dois príncipes são a minha razão de viver e o meu orgulho. Adoro a minha profissão, pois escrever e fazer perguntas sempre esteve no meu ADN. Escolhi ser jornalista com seis anos de idade e consegui.

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