O meu nim ao “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”

No final do mês passado, mais precisamente a 26 de Julho, foi convidada para a ante-estreia do filme “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”. Não ia com grandes expectativas. Não pesquisei na internet, não sabia o nome do realizador, em que se baseava a história… a única coisa que sabia assentava no trailer que vi numa outra ida ao cinema.

É difícil ter uma avaliação única do filme. Se pudesse diria que era um nim. Há coisas boas e coisas (muito) más. A começar pelos protagonistas. Se Cara Delevingne têm desculpa por este ser o seu primeiro papel (creio), e ter vindo de outra profissão (modelo) já o protagonista masculino (Dane DeHaan)… bem… simplificando. Nunca vi um casal com menos química do que estes dois. Com a agravante de o protagonista masculino ser um Major, mas ter aspecto de ter apenas uns 18 anos (mais tarde vim a descobrir que tem 31). São demasiadas inconsistências.

E depois há a estória. Primeiro assistimos a largos minutos de acção com Dane a pretender ser uma espécie de Don Juan (algo que me escapa completamente, mas “prontos”) e com Cara a ter uma postura quase impenetrável (diga-se sem emoções). Mas a verdadeira incongruência (para mim) está no facto de toda a estória se passar num único dia. Mas vamos por partes. Depois de resolverem um problema que só eles os dois poderiam resolver Cara e Dane chegam à Cidade dos Mil Planetas (que na verdade se deveria chamar planeta dos mil planetas, mas isso é outra estória) e descobrem que esta padece de um mal. Está como que a morrer. Há um problema que atinge o seu core, que decorre há já algum tempo, que já foram feitas inúmeras tentativas de resolver a questão mas todas as acções saíram goradas (inclusive todos os agentes que tentaram entrar na área em questão faleceram). E não é que, apesar deste cenário tão negro, os dois protagonistas conseguem salvar o mundo (como que no último minuto) e em menos de um dia? Demasiado inverossímil.

Poderão dizer que esse é o objectivo do cinema. Que as pessoas querem que os filmes as façam sonhar. Sim. É verdade. Mas há que ter bom senso. E aqui não houve.

Mas nem tudo é mão. Pelo contrário. E daí a dificuldade em ter uma avaliação clara deste filme. Os efeitos especiais estão (muito) bons, especialmente quando se vê o filme em 3D (que foi o caso) e há uma ideia por detrás da estória que me agrada: a valorização do planeta, a coexistência (pacífica) entre espécies e a força inerente ao perdão. Que contrabalança com a cobiça do ser humano, o egoísmo de alguns e a ideia de que há espécies de primeira e de segunda (sendo que as de segunda podem ser completamente extintas).

Mais tarde soube que o filme se baseia numa banda-desenhada francesa (ainda tenho de ir investigar) e que o objectivo de realizador é de fazer vários filmes. Acho muito bem, nem que seja para contrabalançar o poderia da indústria cinematográfica norte-americana e para dar uma nova frescura (e imagem) ao cinema europeu. Mas… por favor…. mudem de protagonistas. É que com estes a tal saga não irá longe.

 

PS: uma nota positiva para a prestação de Rihanna que me surpreendeu pelo seu papel de uma alienígena que consegue incorporar qualquer pessoa/ser.

PPS: nota menos positiva para a prestação de Clive Owen. O seu papel de vilão pareceu ser um bocado forçado e “mal amanhado”.

 

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”
Género: Ação, Aventura, Ficção
Data de estreia: 27/07/2017
Título Original: Valerian and the City of a Thousand Planets
Realizador: Luc Besson
Actores: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen
País: França
Ano: 2017
Duração (minutos): 137

Sinopse:

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é o novo e visualmente espetacular filme de Luc Besson, o lendário realizador de Léon, o Profissional, O Quinto Elemento e Lucy, baseado na inovadora série de banda desenhada que inspirou uma geração de artistas, escritores e cineastas. No século 28, Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são dois agentes especiais encarregados de manter a ordem em todos os territórios humanos. Sob as ordens do Ministro da Defesa, Valerian e Laureline embarcam numa missão até à espetacular cidade de Alpha, uma metrópole em constante expansão para onde espécies de todas as partes do universo convergiram durante séculos para partilharem conhecimento, inteligência e culturas. Mas há um mistério no centro de Alpha, uma força negra que ameaça a pacífica existência da Cidade dos Mil Planetas, e Valerian e Laureline vêem-se obrigados a identificar a fonte desta sinistra ameaça e a salvar não apenas Alpha, mas o futuro do universo.
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Alexandra Costa

Jornalista desde 1996 sou portuguesa de nacionalidade, alfacinha de nascimento, alentejana de coração e uma viajante do mundo. Adoro viajar, conhecer novas culturas, experimentar gastronomias. Sou viciada em livros e nunca digo que não a uma boa conversa. Basicamente sou apreciadora dos prazeres da vida.

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