Vimeiro faz viagem no tempo até ao século XIX entre 14 e 16 de julho

A primeira invasão francesa em Portugal teve o seu fim a 21 de Agosto de 1808, no Vimeiro, após uma batalha travada entre o exército francês, comandado por Junot, e o exército Anglo-Luso, sob o comando de Sir Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington.

As tropas anglo-lusas mantiveram uma posição defensiva no Vimeiro. Já os franceses, reunidos em Torres Vedras, decidiram tomar a ofensiva, chegando à Carrasqueira na manhã de 21 de agosto, onde Junot deu ordem de marcha para a batalha.

Os confrontos mais importantes e decisivos aconteceram no outeiro do Vimeiro. Após dois ataques fracassados e percebendo a impossibilidade de tomar o outeiro, Junot enviou tropas para tomar a localidade. Na zona da Igreja, travou-se uma sangrenta batalha que acabou com a retirada dos franceses, perseguidos pela cavalaria anglo-lusa.

Entretanto, duas brigadas francesas confrontavam os britânicos nos altos da Ventosa, sendo de novo forçados a recuar. Esta foi uma vitória inegável do Exército Anglo-Luso sobre as forças da França Imperial, de Napoleão Bonaparte.

Pela sua importância, esta é uma data assinalada anualmente no Vimeiro, concelho da Lourinhã, com honras militares, a 21 de Agosto. Um mês antes, parte desta batalha é recriada. Na sua terceira edição, este ano, o momento vai ser recriado entre 14 e 16 de julho. Durante três dias, aquela localidade vai regressar assim, ao século XIX, com vários workshops, animações de rua, concertos e mostras de produtos gastronómicos. Entre os momentos mais aguardados encontram-se vários momentos de Recriação Histórica da Batalha de Vimeiro, o Baile Oitocentista, o Banquete Real e ainda múltiplos concertos e actuações teatrais.

No Mercado Oitocentista, que terá cerca de 100 bancas, os visitantes serão convidados a viajar no tempo, podendo provar e comprar produtos gastronómicos característicos da época e terão oportunidade de ver várias actividades e ofícios típicos do século XIX. Profissões como a olaria, a carpintaria ou a tecelagem de lã estarão representadas pelas mãos dos animadores do evento a par de várias demonstrações de manobras militares e jogos de guerra do período napoleónico.

   

O programa é vasto e foi apresentado esta semana aos jornalistas no Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro (CIBV), situado no campo onde foi travada a batalha decisiva. Começa a 14 de julho, pelas 19h, com a abertura do Mercado Oitocentista e um desfile de época com os animadores do evento. Segue-se uma recriação da visita do Rei D. Manuel II ao Vimeiro e um Banquete em honra de Sua Majestade, pelas 20h30, restrito a 70 pessoas. Às 22h30 decorre um concerto da Orquestra Ligeira Monte Olivett e às 00h00 os visitantes poderão desfrutar de um espectáculo de malabares de fogo.

Já sábado, dia 15 de julho, o dia começa com o hastear das bandeiras, pelas 10h. Seguir-se-á, pelas 10h30, um peddy paper pelas Ruas de Vimeiro e um desfile dos grupos de recriadores até aos Paços do Município, onde o Presidente da Câmara dará as boas vindas a todos os presentes.

À tarde, os visitantes poderão desfrutar de uma visita guiada encenada ao CIBV, pelas 15h, seguida de uma demonstração de manobras militares livres. Haverá ainda lugar para um workshop sob o tema ‘Dançar em tempo de guerra’ pelas 16h30, e um concerto do Coro Municipal da Lourinhã, pelas 18h.

Uma hora depois, é a vez do Baile Oitocentista a que se seguirá um dos pontos altos do programa, às 22h, com a Recriação do Combate Noturno da Batalha.

Domingo, dia 16 de julho, começa com o hastear das bandeiras e cerimónia de homenagem aos mortos em combate, pelas 10h, ao qual se seguirá uma demonstração de Manobras Militares pelas 10h30.

Às 12h faz-se a Recriação Histórica da Batalha de Vimeiro, seguida do ‘Assalto à Igreja’, que nos dois anos anteriores foi feita à noite. Pelas 15h, os visitantes poderão participar em vários Jogos de Guerra do Período Napoleónico. Para quem preferir artes plásticas, o workshop de pinturas de miniaturas napoleónicas, também pelas 15h, e o de modelagem de barro, pelas 16h, podem ser boas opções.

Para terminar o dia, a organização propõe concertos dos grupos Manuk a ZaraGaitaS seguidos da cerimónia de arriar das bandeiras.

Durante o dia 15 de julho, sábado, vários artistas vão estar pelas ruas do Vimeiro a fazer desenhos alusivos à época, que depois estarão expostos numa exposição no Centro de Interpretação, no dia 21 de Agosto, data em que se assinala com honras militares a batalha.

De frisar que a população do Vimeiro participa com entusiasmo neste evento, com trajes a rigor. A organização conta também com parceiros locais como, por exemplo, a companhia de teatro do Vimeiro e associações locais.

Organizado pela Câmara Municipal do Lourinhã acompanhada da Junta de Freguesia de Vimeiro e da Associação para a Memória da Batalha de Vimeiro, este evento implica um investimento de cerca de 32 mil euros. Envolve mais de 150 recreadores de Espanha, França e Portugal e tem um impacto muito positivo para a economia da região, nomeadamente a restauração local e as unidades hoteleiras, bem como as associações e empresas locais que se associam ao evento e que conseguem obter receitas durante os três dias. O retorno financeiro é ainda visível ao longo do ano, uma vez que muitas das pessoas que vão ao evento, voltam à região para ir ao centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro que permite visitas guiadas, aos três espaços distintos com conteúdos expositivos, armamento, fardamento, documentação da época e peças arqueológicas.

 

Este ano, a organização pretende superar os 10 mil visitantes, um número quase alcançado o ano passado.

Outro objectivo é que o evento se mantenha no tempo, independentemente de quem estiver à frente da autarquia e da junta. Este é um evento que foi pensado no âmbito das comemorações dos 200 anos após a batalha, para enaltecer um momento importante da história de Portugal e que o Vimeiro não quer fazer esquecer. Assim, nos próximos anos a ideia é de forma sustentada, cimentar este evento, mantê-lo anual e torná-lo de dimensão nacional.

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Raquel Carvalho

Lutadora e apaixonada pela vida. É assim que me caracterizo.
Para mim a família é o meu pilar e ser mãe foi um sonho tornado realidade. Os meus dois príncipes são a minha razão de viver e o meu orgulho. Adoro a minha profissão, pois escrever e fazer perguntas sempre esteve no meu ADN. Escolhi ser jornalista com seis anos de idade e consegui.

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