34.º Festival de Almada apresenta 44 espectáculos de 4 a 18 de Julho

Entre 4 e 18 de Julho, 44 produções vão estar em destaque no 34.º Festival de Almada. Ao todo, 14 espaços em Almada e Lisboa recebem criações portuguesas e estrangeiras num dos principais eventos de teatro do País. E a importância é visível nos números de assinaturas já vendidas e que dão acesso aos espectáculos – mais de metade, mesmo antes de ser conhecido o cartaz, apresentado oficialmente no passado dia 23 de Junho, na Casa da Cerca, em Almada.

E o início da apresentação não foi pacífica, com Rodrigo Francisco, director artístico do Festival de Almada, a protestar o parco orçamento que a Companhia de Teatro de Almada (CTA) – estrutura que o organiza – , recebe do Estado. “É lamentável que se receba o mesmo financiamento que em 1997”, disse, frisando que se trabalha “com um orçamento de troika quando a troika já saiu do país há três anos”.

Dispondo para o festival de um financiamento total de 820 mil euros, 257 mil são investimento da Câmara Municipal de Almada, 363 mil são fruto de parcerias e receitas próprias do Festival, e 200 mil são assegurados pelo Ministério da Cultura, via Direcção-Geral das Artes.

Antes mesmo de anunciar o cartaz, Rodrigo Francisco o director do festival e da Companhia de Teatro de Almada lamentou esta atitude, que disse ser “contra-corrente, tendo em conta a euforia que vivemos por via do Europeu [de Futebol], do Festival da Canção e da recuperação económica”. E foi mais longe, “este Governo está praticamente há dois anos em exercício e ainda não disse aos criadores nem ao país qual é a política teatral que prevê para o futuro”. Rodrigo Francisco lembra mesmo que já se assistiu ao velório de uma companhia, o Teatro Cornocópia, e referiu que o governo anterior era mais dialogante com os artistas.

Mesmo assim, o festival sobrevive e continua a ser uma referência no panorama cultural do país. E para que não corra o risco de acabar ou degradar-se, o responsável pede maior participação do Estado. “Não estou disposto a tornar o grande festival que alcançámos no final dos 90 num evento de dimensão local. Não chega vir alguém às sessões de abertura fazer um discurso bonito, dizer-nos que estamos a fazer um óptimo trabalho e dar-nos os parabéns. É preciso agir em conformidade.”

O festival de teatro apresenta em 11 palcos espectáculos de companhias que representam 11 países: França, Noruega, Bélgica, Argentina, Roménia, Inglaterra, Israel, Itália, Suíça, Espanha e Portugal.

No ano passado o público votou para que regressasse este ano como Espectáculo de Honra, Hedda Gabler, de Ibsen, com encenação da norueguesa Juni Dahr. Tratava-se de uma montagem para 70 espectadores de cada vez, na qual o público era convidado a tomar assento na sala de estar da heroína de Ibsen. Este espectáculo de pequeno formato acaba por dar o mote para a 34.ª edição do Festival de Almada, que inclui um conjunto de oito espectáculos intimistas, com carreiras alargadas, que convidam o público para uma relação de especial proximidade com os actores.

Dahr será também a protagonista do conjunto de aulas ‘O sentido dos mestres’. Nas tardes de 10 a 13 de Julho, falará sobre a sua experiência no teatro independente, focando em particular a sua relação com a obra de Ibsen.

Os espectáculos de pequeno formato, assentes na proximidade entre os actores e o público, são um traço dominante na programação, mas o Festival de Almada não esquece as grandes produções internacionais, sendo que este ano o suíço Christoph Marthaler e o italiano Pippo Delbono encabeçam uma lista de 15 criadores que se apresentam em 11 palcos. São eles: Casa da Cerca/Centro de Arte Contemporânea, Teatro Municipal Joaquim Benite, Teatro-Estúdio António Assunção, Incrível Almadense, Fórum Romeu Correia (todos em Almada), Teatro Taborda, Teatro Nacional D. Maria II, Centro Cultural de Belém (todos em Lisboa).

Um melodrama burlesco pela companhia francesa Le fils du grand réseau, intitulado “Bigre”, é a peça que abre, a 4 de julho, na Escola D. António da Costa, em Almada, a 34.ª edição do festival de teatro.

Distinguido este ano com o prémio Molière para melhor comédia, este melodrama de Pierre Guillois, escrito em parceria com Agathe L´Huillier e Olivier Martin-Salvan, gira em torno de dois homens e uma mulher que vivem em três quartos de criada e que estão ‘destinados’ a falhar.

No entanto, os seus falhanços, além de cómicos, são irresistíveis, explicou Rodrigo Francisco.

‘História do cerco de Lisboa’, a apresentar a 5 e 6 de julho, no Teatro Municipal Joaquim Benite, é a criação que a CTA leva a esta edição do certame, num processo de criação conjunta com a Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), Companhia de Teatro de Braga e Teatro dos Aloés.

A partir da obra homónima de José Saramago, o dramaturgo José Gabriel Antuñano concebeu uma dramaturgia que o espanhol Ignacio García encena.

“A peça é uma reflexão sobre a capacidade crítica do ser humano e está a ser supergratificannte trabalhar com os atores portugueses, alguns dos quais também encenadores”, sublinhou Ignacia García na apresentação.

‘Operários’, de Miguel Moreira e Romeu Runa, com que a Útero – Associação Cultural comemora os 20 anos de existência, ‘Ela diz’, pelo Teatro da Garagem, com texto e encenação de Carlos Pessoa, ‘Karl Valentin Kabarett’, pelo teatro do Elétrico e ‘Primeira imagem’, completam as cinco criações portuguesas que estreiam no Festival.

‘Golem’, com texto e encenação de Suzanne Andrade, é a peça que a estreante companhia inglesa 1927 escolheu trazer ao festival.

Do italiano Pippo Delbono, a peça ‘Evangelho’ é um espectáculo desenvolvido no momento da morte da mãe, após esta lhe pedir para fazer um espectáculo sobre a religião.

De entre as peças estrangeiras, Rodrigo Francisco destacou também ‘Uma ilha flutuante’, uma encenação do suíço Christoph Marthaler, a partir de um texto do dramaturgo francês Eugène Labiche que ridiculariza o mundo burguês das aparências.

Já a romena Gianina Cârbunariu leva a Almada a peça ‘Gente comum’.

Além do teatro, o festival integra espectáculos e animação de rua, concertos, exposições e debates.

Waldemar Bastos, Aldina Duarte, Irmãos Catita, Samuel Úria, Bruno Pernadas e Gerajazz são alguns dos artistas que darão concertos na esplanada da Escola D. António da Costa.

“Sonho de uma noite de verão”, pelo grupo Voadora, de Santiago de Compostela, uma peça a partir de Shakespeare com dramaturgia de Marco Layera e encenação de Marta Pazos, é a peça que encerra o certame, no dia 18, na Escola D. António da Costa.

De frisar que o Festival de Almada homenageia este ano o cenógrafo e figurinista António Lagarto com uma exposição na Escola D. António da Costa, intitulada “Auto-retrato do artista”, uma instalação deste artista plástico – ‘Os jardins de Narciso’ -, com curadoria do arquitecto Pedro Mira e uma exposição com desenhos de Luís Miranda, intitulada ‘… e até Platão tinha um corpo’.

Associado ao evento, foi também inaugurada na Casa da Cerca, uma exposição de Jorge dos Reis, artista plástico convidado para fazer o cartaz do Festival deste ano, intitulada ‘Terra Plana, Humanismo e Formalismo’.

   

 

 

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Raquel Carvalho

Lutadora e apaixonada pela vida. É assim que me caracterizo.
Para mim a família é o meu pilar e ser mãe foi um sonho tornado realidade. Os meus dois príncipes são a minha razão de viver e o meu orgulho. Adoro a minha profissão, pois escrever e fazer perguntas sempre esteve no meu ADN. Escolhi ser jornalista com seis anos de idade e consegui.

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