Exposição World Press Photo 2017 no Museu Nacional de Etnologia até dia 21 de Maio

A Exposição World Press Photo 2017 abre hoje ao público na galeria de exposições temporárias do Museu Nacional de Etnologia, no Restelo, e vai estar patente até dia 21 de Maio de 2017. Depois segue para Maia, dia 27 de Maio.

A foto do ano gerou alguma polémica na imprensa internacional, “e não foi consensual para o júri do concurso. Porém acabou por ser a mais votada porque o júri quis, com esta escolha, premiar a coragem do fotógrafo turco da Associated Press, Burhan Ozbilici, que em vez de fugir, optou por arriscar a vida, mas registar o momento”, explicou hoje Suzan van den Berg, curadora da exposição World Press Photo a alguns jornalistas durante a abertura oficial da exposição.

Burham Ozbilici acabaria por ser testemunha do assassinato do embaixador russo na Turquia durante uma exposição em Ancara. A foto captada pela sua câmara acabou por lhe dar o primeiro prémio do World Press Photo 2017.

A fotografia vencedora mostra o polícia Mevlut Mert Altintas, armado, gritando e esbracejando, instantes depois de ter assassinado a tiro o embaixador russo na Turquia. Apesar de vencedora é controversa. “É a imagem de um assassinato, com o assassino e o morto, ambos na mesma fotografia. Moralmente é tão problemático como publicar um terrorista a decapitar a vítima”, comentou Stuart Franklin, presidente do júri do concurso que admitiu, depois, ter votado contra a foto de Ozbilici.

A curadora frisou que a divergência de opiniões não é assunto novo dentro da organização sediada na Holanda. “Acontece regularmente o debate em torno das histórias vencedoras. Temos um júri independente, com opiniões distintas e não é unânime”, explica. Suzan van den Berg (curadora com Sophie Boshouwers) realçou que a fotografia de Burham Ozbilici “amplia o debate. Claro que mostra um assassinato, mas também mostra muito mais do que isso. Mostra a interacção entre a Rússia, a Turquia e a Síria hoje e isso é também uma das razões por que esta fotografia é tão importante. O trabalho contém um certo simbolismo”.

De facto, a foto mexe connosco. Ninguém fica indiferente. No fundo, está ali um homem estendido no chão, mas toda a exposição é um misto de emoções. A maioria retrata os dias trágicos dos refugiados, imagens das suas fugas desesperadas e imagens de guerra, mas também imagens do quotidiano.

Mexer com as emoções é mesmo um dos sucessos desta iniciativa. Referência mundial do fotojornalismo, a exposição dá a conhecer ao público, através das imagens premiadas, algumas das questões cruciais com as quais povos e sociedades de todo o mundo se defrontam na actualidade e que, em muitos casos, se repercutem além das suas fronteiras e mesmo à escala global. Mas a partir de hoje, dia 28 de Abril e até 21 de Maio, pode ver por si mesmo todas estas imagens.

  

O World Press Photo Awards é considerado um dos mais reconhecidos concursos para contadores de histórias visuais. A competição deste ano recebeu 80.408 imagens, apresentadas por 5.034 fotógrafos de 125 países.

A exposição é organizada pela World Press Photo Foundation, uma organização sem fins lucrativos fundada em 1955 e tem o apoio da Canon desde o seu início, em 1992.

Antes da visita à exposição, os jornalistas tiveram a possibilidade de conhecer Ziv Koren, embaixador Canon e um fotojornalista premiado que revelou as histórias por detrás do seu trabalho e o caminho criativo que está a seguir.

Mostrou algumas das suas fotografias tiradas em retratos de guerra, explicou algumas técnicas de trabalho, o que está por trás de uma boa fotografia e desmistificou alguns mitos. No fundo, acabou por dar uma valiosa aula de fotografia.

Local: Museu Nacional de Etnologia, Avenida Ilha da Madeira, Lisboa

Horário: Terça-feira das 14h às 18h, Quarta-feira a domingo das 10h às 18h. Encerrado à segunda-feira e dia 1 de maio

Bilheteira: Geral 3 euros; Estudantes*; Cartão jovem (15-25 anos)* Sénior (> 64 anos)*; Portadores de deficiência 1,50 euros

Entradas Gratuitas: Grupos escolares | Professores e auxiliares educativos que acompanhem grupos escolares | Crianças até aos 12 anos | Jornalistas* | Desempregados*

*com comprovativos válidos

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Raquel Carvalho

Lutadora e apaixonada pela vida. É assim que me caracterizo.
Para mim a família é o meu pilar e ser mãe foi um sonho tornado realidade. Os meus dois príncipes são a minha razão de viver e o meu orgulho. Adoro a minha profissão, pois escrever e fazer perguntas sempre esteve no meu ADN. Escolhi ser jornalista com seis anos de idade e consegui.

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