Prémio Fundação EDP Arte 2016 atribuído a Artur Barrio

Artur Barrio, de 72 anos, é o vencedor da sétima edição do prémio Fundação EDP Arte 2016. O artista plástico nascido no Porto, mas  que reside no Brasil desde os 11 anos,  tem 41 anos de carreira, e é reconhecido internacionalmente pela qualidade das suas obras. É essa excelência internacional pelo qual é conhecido que levou à escolha unânime do painel de jurados composto por nomes de renome na área da cultura.

“Este prémio tem o objectivo claro de reconhecer uma carreira longa e de sucesso”, disse António Mexia, presidente da EDP, durante a apresentação do artista vencedor. “Queremos dar reconhecimento às pessoas que têm vindo a contribuir para a disciplina na arte e que no seu percurso, marcaram a diferença. Queremos reconhecer a sua vida e trabalho”, destacou.

O presidente da EDP sublinhou a importância de Artur Barrio na arte e o seu “contributo decisivo para a cultura”. Frisou também que o prémio serve para colocar o artista plástico de novo nos radares do público português”.

Chus Martinez, curadora e diretora do Institute of Art da FHNW Academy of Art and Design em Basel e um dos membros do júri realçou também o percurso do artista. “Atitude é um conceito chave no trabalho de Artur Barrio. O que está presente nessa palavra – que ele transformou vezes sem conta nos seus trabalhos, situações e performances – é uma noção do pessoal, da reação individual às circunstâncias, ao nosso tempo”, disse.

“As atitudes são também a produção de um exílio humilde, uma forma de reagir à impaciência da história, de produzir pensamento através de um gesto de retirada, ceticismo, de desconectar crítico. Esta é uma das mais notáveis contribuições da obra de Artur Barrio, frisou Chus Martinez, que assinalou ainda o facto de, apesar de ser um português emigrante há anos, o seu trabalho sempre espelhou a sua ligação com Portugal. “O seu trabalho estava lá para se dirigir a nós, para enriquecer e libertar a própria noção de casa e de identidade. Artur Barrio, por isso, sempre teve um ‘pé’ no futuro”, destacou.

No ADN da obra de Artur Barrio está a utilização de materiais efémeros e inesperados como o sal, o papel higiénico, o pão, o sangue, o pó de café, a carne, sangue, fezes e urina, criando experiências que envolvem o público e provocam reações extremas. As sua obras são polémicas e têm forte carga política.

Com a atribuição do Grande Prémio Fundação EDP Arte 2016, Artur Barrio será homenageado através de uma exposição de caráter retrospetivo e/ou antológico, com a publicação de um catálogo que constitui uma importante referência historiográfica e bibliográfica, bem como com a atribuição do valor pecuniário de 50 mil euros.

Artur Barrio agradeceu o prémio. Disse “ser uma honra e um incentivo para continuar”, e admitiu ter ficado “surpreendido” mas tendo-se sentido “conforto e muito feliz”, neste regresso ao seu país natal.

De frisar que Artur Barrio já tinha ganho o prémio Velazquez em 2011

O júri

O júri foi constituído por António Mexia (Presidente do Conselho de Administração Executivo da EDP e Presidente da Fundação EDP), Pedro Gadanho (Diretor do MAAT), João Pinharanda (Historiador e Crítico de Arte e atual Adido Cultural junto da Embaixada de Portugal em Paris), Hans Ulrich Obrist (Diretor Artístico da londrina Serpentine Galleries), Suzanne Cotter (Diretora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves), Chus Martinez (Diretor do Basel Art Institute), Emília Tavares (Conservadora e Curadora para a área da Fotografia e Novos Media, no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado) e Nuno Crespo (Investigador e Crítico de Arte).

O prémio

O Grande Prémio Fundação EDP Arte, criado em 2000, é uma iniciativa trienal que pretende consagrar artistas plásticos de nacionalidade portuguesa, com carreira consolidada e historicamente relevante, cujo trabalho contribui para afirmar e fundamentar as tendências estéticas contemporâneas. Na história das suas edições, este prémio já distinguiu grandes nomes da arte contemporânea nacional como Lourdes Castro (2000), Mário Cesariny (2002), Álvaro Lapa (2004), Eduardo Batarda (2007), Jorge Molder (2010) e Ana Jotta (2013).

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Raquel Carvalho

Lutadora e apaixonada pela vida. É assim que me caracterizo.
Para mim a família é o meu pilar e ser mãe foi um sonho tornado realidade. Os meus dois príncipes são a minha razão de viver e o meu orgulho. Adoro a minha profissão, pois escrever e fazer perguntas sempre esteve no meu ADN. Escolhi ser jornalista com seis anos de idade e consegui.

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