Festival ‘Terras sem Sombra’ arranca dia 11 de Fevereiro em Almodôvar

A 13ª edição do Festival ‘Terras sem Sombra’ está prestes a começar. Vai decorrer entre 11 de Fevereiro e 17 de Junho, de forma itinerante, nos concelhos de Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja, onde decorrerá o concerto de encerramento, a 17 de Junho. Dia 1 de Julho, Sines receberá a cerimónia de entrega do Prémio Internacional ‘Terras sem Sombra 2017’.

A programação artística deste ano, com direcção artística de Juan Ángel Vela del Campo, valoriza a espiritualidade na arte, propondo uma viagem espácio-temporal pela música dos séculos XVI a XXI, onde estarão em palco, grandes intérpretes espanhóis e portugueses, mas também norte-americanos, húngaros e franceses.

Depois do Brasil, o país convidado este ano é Espanha, onde começa hoje e até dia 4 a apresentação da programação no Consulado-Geral de Portugal em Sevilha.

Esta é uma iniciativa da sociedade civil que visa tornar acessíveis, a um público alargado, os monumentos religio­sos da Diocese de Beja, como locais privilegiados, pela história, pela arte, pela acústica, para a fruição da música sacra.

Aliás, o ‘Terras sem Sombra’ tem uma novidade este ano. Vai abrir as portas, em exclusivo, de espaços que habitualmente estão encerrados ao público, através de uma visita guiada, o que representa uma boa oportunidade para conhecer o património mais significativos do baixo Alentejo.

Música, património e biodiversidade dão o mote para divulgar a cultura, a paisagem, a gastronomia, a economia e o empreendedorismo locais.

José António Falcão, director-geral do festival, frisou que o ‘Terras sem Sombra’ serve para promover “o direito à Cultura”, salientando que, “assim como temos o direito a água de qualidade, a saúde, a educação, a tudo aquilo que carateriza uma existência fecunda e de qualidade, nós temos também o direito à cultura”, frisou durante a conferência de imprensa de apresentação do certame, que decorreu na Casa do Cante, em Serpa.

Disse ser “fundamental continuar a dar espaço à cultura e prestar atenção às novas gerações de artistas”. Só assim acredita que não se perderão as raízes culturais e a espiritualidade. “Aqui, no Alentejo, temos conseguido de maneira harmoniosa juntar todos estes valores, projectá-los para o futuro e até atrair novos alentejanos”, sublinhou José António Falcão.

O responsável admitiu haver algumas dificuldades financeiras, mas que nada impede o festival de se realizar, caracterizando o ‘Terras sem Sombra’ como um “festival de resistência” e que tem “a capacidade de se reinventar todos os anos”. O orçamento anual mantém-se o mesmo das edições anteriores:  200 mil euros, dos quais 50% a 60% oriundos das municípios, sobretudo, no aporte de serviços.

Na apresentação, Tomé Pires, presidente da Câmara de Serpa salientou a importância deste festival para a região, realçando que na cultura não se gasta dinheiro, mas sim, investe-se. “Tem que se dar primazia à salvaguarda e à valorização do património”, disse, explicando que este festival escolheu “deliberadamente regiões menos populosas e de baixa densidade”, e que é único e diferente dos outros, não só por ser música sacra e clássica, mas também por “aglutinar toda a sociedade civil e agentes locais”.

Já o director artístico do festival, Juan Ángel Vela del Campo, elogiou o festival frisando que o mesmo já está a ser replicado em Espanha. Admitiu estar “orgulhoso na programação”, por juntar os melhores músicos dos dois países, reforçando mesmo a iniciativa de juntar o cante alentejano com o Flamenco.

Os concertos, com entrada gratuita, decorrem aos sábados à noite. No mesmo dia, a partir das 15h00, são promovidas visitas guiadas ao património pelas cidades e vilas que acolhem o certame.

As manhãs de domingo vão ser dedicadas a acções de voluntariado para a salvaguarda da biodiversidade dos concelhos abrangidos pelo evento. São iniciativas que vão apresentar novas rotas e locais menos conhecidos.

Este certame tem servido ainda para divulgar produtos regionais do Baixo Alentejo, sendo que nesta edição o destaque vai para o azeite, com o produto protagonista eleito, a ser o azeite da Cooperativa Agrícola de Beja e Abrinches.

Programas de Biodiversidade

Almodôvar, dia 12 de Fevereiro

‘Pelas alturas do Mú – o Alentejo serrano. O programa inclui uma visita à serra e ver a flora e a fauna.

Odemira, dia 5 de Março

‘Pelos meandros do Mira – um olhar sobre os gradientes do grande rio do Sudoeste’ – Conhecer o rio Mira através de um percurso de barco onde  serão reconhecidos os habitats mais relevantes deste rio e analisadas as suas principais ameaças.

Santiago do Cacém, dia 26 de Março

‘A paisagem cultural em torno do convento do Loreto – assegurar a sua continuidade’
A actividade versará na área em torno da paisagem cultural do convento.

O dia será dedicado ao montado de sobro.

Castro Verde, dia 9 de Abril

‘Os passos do ciclo de lã’ – Vai acompanhar-se a tosquia tradicional das ovelhas actótones da região e visitar o recentemente inaugurado pólo do Lombador do museu da ruralidade, dedicado à tecelagem.

 Serpa, 7 de Maio

‘Engenho humano e olival tradicional da Serra de Ficalho’

Será realizado um percurso de descoberta pela serra nas componentes geológicas, biológicas e do seu riquíssimo olival tradicional.

Ferreira do Alentejo, dia 28 de Maio

‘O sado – diagnóstico de um rio ainda desconhecido’ – inventariar a  biodiversidade, particularmente das galerias ribeirinhas e avaliar a qualidade da água são os objectivos desta acção.

Sines, dia 4 de Junho

‘A fronteira entre o atlântico e o mediterrâneo – à descoberta dos monges eremitas da Junqueira’.

O ponto de partida desta acção é saber como viviam e como interagiam com o ambiente a partir de um percurso de descoberta da biodervisidade local.

Beja, dia 18 de Junho (neste fim-de-semana realiza-se o concerto de encerramento)

‘O homem e o Guadiana, elementos que estruturam a paisagem’ – Vai fazer-se um percurso pedestre em torno do percurso azenhas e fortins  do Guadiana. Pretende-se fazer uma avaliação do elemento água.

 

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Raquel Carvalho

Lutadora e apaixonada pela vida. É assim que me caracterizo. Para mim a família é o meu pilar e ser mãe foi um sonho tornado realidade. Os meus dois príncipes são a minha razão de viver e o meu orgulho. Adoro a minha profissão, pois escrever e fazer perguntas sempre esteve no meu ADN. Escolhi ser jornalista com seis anos de idade e consegui.

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